Ideia
As economias capitalistas não convergem para um único modelo. As empresas precisam resolver problemas de coordenação com trabalhadores, investidores, fornecedores e outras empresas, e as instituições nacionais moldam a forma como o fazem. Nas economias de mercado liberais (EMLs), como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, a coordenação ocorre principalmente por meio de mercados competitivos, contratos formais e hierarquias. Nas economias de mercado coordenadas (EMCs), como a Alemanha, a Áustria, a Suécia e o Japão, ela ocorre por meio de relações não mercantis: negociação salarial em âmbito setorial, associações patronais, financiamento bancário de longo prazo, formação profissional organizada conjuntamente por empresas e sindicatos e cogestão.
Mecanismos
- Financiamento corporativo: mercados acionários com propriedade dispersa e aquisições (EML) ou capital paciente de bancos e acionistas com participações expressivas (EMC).
- Relações industriais: negociação descentralizada (EML) ou negociação setorial e conselhos de trabalhadores (EMC).
- Qualificações: educação geral e mão de obra móvel (EML) ou formação profissional específica da empresa e do setor (EMC).
- Relações interempresariais: concorrência em condições de mercado (EML) ou definição de padrões e transferência de tecnologia por meio de associações (EMC).
- Complementaridade: cada instituição funciona melhor quando as demais são compatíveis com ela.
Teoria
Hall e Soskice argumentam que as complementaridades institucionais conferem a cada tipo uma «vantagem institucional comparativa»: as EMLs, em inovação radical e setores dinâmicos, como software e finanças; as EMCs, em inovação incremental em setores como máquinas-ferramenta e automóveis. Como as instituições se reforçam mutuamente, a teoria prevê dependência da trajetória: os países não deveriam convergir para o modelo liberal sob a globalização. Hall e Gingerich (2009) construíram índices de coordenação para países da OCDE e relataram que os países se agrupam ao longo de uma dimensão e que o crescimento era maior onde as instituições de diferentes esferas eram consistentemente liberais ou consistentemente coordenadas.
Exemplos reais
- A Alemanha é o exemplo clássico de EMC: negociação coletiva setorial, conselhos de trabalhadores e cogestão em nível de conselho de administração, além de um sistema dual de formação profissional.
- Os Estados Unidos e o Reino Unido são exemplos clássicos de EMLs.
- A França, a Itália, a Espanha e Portugal não se enquadram bem em nenhum dos tipos e, por vezes, são chamados de economias de mercado «mistas» ou influenciadas pelo Estado.
Crítica
Em Beyond Varieties of Capitalism (2007), Hancké, Rhodes e Thatcher argumentam que a dicotomia negligencia o Estado, o conflito e a mudança, e força muitas economias a caber em duas categorias. Os críticos também observam que a coordenação alemã se enfraqueceu após a década de 1990, com a queda da cobertura da negociação coletiva, algo que o modelo estático não previu. A teoria trata de democracias ricas e pouco diz sobre o capitalismo de Estado ou as economias em desenvolvimento.
Resultados
A distinção entre EML e EMC é um dos referenciais mais utilizados na economia política comparada e se ajusta bem aos contrastes entre os Estados Unidos e a Alemanha. As evidências sobre as complementaridades e os padrões de especialização previstos são mistas e dependem da forma de mensuração.
Afirmações
Hall e Soskice (2001) distinguem economias liberais de mercado, nas quais as empresas coordenam as suas atividades principalmente através dos mercados e de contratos formais, de economias de mercado coordenadas, nas quais recorrem a instituições não mercantis, como a negociação setorial, as associações patronais e o capital paciente.[1]
Hall e Gingerich (2009) relatam que as economias da OCDE se agrupam ao longo de uma única dimensão, do modelo liberal ao coordenado, e que o crescimento foi maior quando as instituições em diferentes esferas eram consistentemente de um mesmo tipo; trata-se de um teste de complementaridade que os críticos consideram sensível à forma de medição.[1][2]
Histórico de revisões
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