Ideia
O Estado social é o conjunto de instituições públicas que protege as pessoas contra a perda de rendimentos causada por desemprego, doença, velhice ou deficiência e presta serviços como assistência médica e educação. Gøsta Esping-Andersen argumentou em The Three Worlds of Welfare Capitalism (1990) que os Estados sociais diferem não tanto pelo montante que gastam, mas pela forma como são estruturados.
Mecanismos
- Desmercantilização: até que ponto as pessoas conseguem garantir o próprio sustento sem depender do mercado de trabalho.
- Estratificação: se os benefícios são universais, vinculados à ocupação e ao estatuto, ou direcionados aos pobres.
- A combinação público-privada: os papéis do Estado, do mercado e da família na prestação de bem-estar.
- Financiamento: tributação geral, contribuições sobre a folha de pagamento ou seguro privado.
Teoria
Esping-Andersen identificou três regimes:
- Liberal (Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá): transferências universais modestas, assistência sujeita a condição de recursos e incentivo ao seguro privado.
- Conservador-corporativista (Alemanha, França, Áustria, Itália): seguro social vinculado à ocupação e aos rendimentos, preservando diferenças de estatuto, muitas vezes centrado na família.
- Social-democrata (países nórdicos): benefícios e serviços universais de elevado padrão, financiados por impostos.
Ele relacionou os regimes às coligações políticas que os construíram, especialmente à força dos movimentos trabalhistas e às suas alianças com agricultores e a classe média. Korpi e Palme (1998) descreveram um «paradoxo da redistribuição»: os países que direcionam benefícios aos pobres tendem a reduzir a pobreza e a desigualdade menos do que os países com programas abrangentes e vinculados aos rendimentos, porque os programas universais contam com apoio político mais amplo e orçamentos maiores. O trabalho histórico de Peter Lindert encontrou poucas evidências de que elevados gastos sociais tenham reduzido o crescimento, fenómeno que chamou de «enigma do almoço grátis».
Exemplos reais
- As leis de seguro social de Bismarck na Alemanha (década de 1880) são o protótipo do modelo conservador.
- O Estado social britânico do pós-guerra, após o Relatório Beveridge (1942), combinou assistência médica universal com benefícios de valor fixo.
- A Suécia e a Dinamarca construíram o modelo social-democrata entre as décadas de 1930 e 1970.
- Estados autoritários também construíram instituições de bem-estar, da Alemanha de Bismarck aos Estados do Leste Asiático e do Golfo, muitas vezes para garantir lealdade.
Crítica
Investigadoras feministas argumentaram que a tipologia ignorava o trabalho de cuidados não remunerado e a família. Outros propuseram mundos adicionais: um regime do Sul da Europa, com fortes papéis familiares, e um regime «produtivista» do Leste Asiático, que subordina a política social ao crescimento. Muitos países são híbridos, e os Estados sociais mudaram desde 1990.
Resultados
A tipologia continua a ser o principal referencial para a política social comparada. O paradoxo de Korpi–Palme tem sido debatido: estudos posteriores concluem que a relação entre focalização e redistribuição se enfraqueceu na década de 2000. Estados sociais de todos os tipos expandiram-se durante o século XX e demonstraram resiliência política.
Relacionados
Afirmações
Esping-Andersen (1990) classificou os Estados de bem-estar social em regimes liberais, conservador-corporativistas e social-democratas, de acordo com seu grau de desmercantilização e o tipo de estratificação que produzem.[1]
Korpi e Palme (1998) constataram que os Estados de bem-estar social com programas abrangentes e vinculados aos rendimentos reduziram a pobreza e a desigualdade mais do que aqueles que destinavam benefícios aos pobres, fenômeno que denominaram paradoxo da redistribuição.[1][2]
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